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Por Isabelle Lindote
redatora@bemleve.com.br
O Setor de Psicologia do Hospital do Coração (HCor) realizou um estudo inédito e identificou os fatores mais freqüentes da recaída no
tratamento de fumantes. Durante a pesquisa foram avaliados 61 pacientes fumantes e o resultado apontou que os motivos mais freqüentes para a recaída são
estresse (62%) e ansiedade (19%).
Dentro deste contexto, 56% são do
sexo feminino, principalmente por conta da dupla jornada (lar e
trabalho), e 44% do sexo masculino, sendo que 77% dos pacientes participantes manifestaram grande satisfação com o tratamento – mais especificamente com o apoio psicológico.
Segundo Silvia Cury Ismael, chefe do Setor de Psicologia do HCor, durante a pesquisa foi detectado que o fumante não pode ser tratado apenas com medicação. “Conseguimos verificar que o apoio psicológico é fundamental ao paciente fumante. A conclusão do estudo apresenta um aumento de 20% no sucesso do tratamento em relação ao uso de medicamentos - isto mostra que o fumante não pode ser apenas tratado do ponto de vista físico, mas também do psicológico”, esclarece Silvia.
Além disso, o estudo revela que se o paciente nunca tentou parar de fumar e usa o cigarro como estimulante, ele tem até seis vezes mais chances de recaída. Já no grupo de pacientes insatisfeitos com questões pessoais, o índice de recaída é cinco vezes maior. Um dado alarmante é que estudos realizados revelavam que os jovens começavam a fumar antes dos 19 anos, mais freqüentemente entre 10 e 15 anos, principalmente por influência de
pais fumantes e amigos.
Fatores de risco para a recaída
• maior número de anos que o paciente fuma;
• menor número de cigarros fumados por dia;
• morar com outros fumantes;
• menor teor de nicotina do cigarro;
• menor freqüência nas sessões do tratamento.
Motivos para o paciente fumar
• Estímulo externo
• Entusiasmo
• Dificuldade de ficar sem fumar em locais proibidos
• Ter dó de si mesmo
• Insatisfação no trabalho
• Insatisfação em relação à vida sexual
Para se livrar da dependência, o fumante não deve recorrer apenas a um tipo de tratamento. Segundo Silvia Cury, a dependência química é apenas um dos fatores que desestimulam o paciente e o fazem parar. “Estresse e ansiedade também atrapalham. O fumante acaba inserindo o cigarro em sua rotina diária e não se dá conta. Existem ainda os gatilhos, como fumar após as refeições, após o café, ao dirigir, ao telefone, no computador, durante as atividades intelectuais. Por isso, é fundamental que o paciente modifique a sua rotina e conte com um acompanhamento multidisciplinar para resistir às recaídas. É preciso que ele tome as rédeas da situação e se sinta seguro de sua decisão”, conclui a psicóloga.
O tratamento de doenças causadas pelo hábito de fumar custa mais de 200 bilhões de dólares para os cofres públicos em todo o mundo. Só no Brasil o tabaco faz anualmente 200 mil vítimas. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o
fumo é o causador principal de mais de 50 tipos de doenças, entre elas, os problemas cardiovasculares, respiratórios e o câncer.